Batuta – Bate o zóio aqui, o trêm é bão!

14mai/110

Ecologia, Filosofia e Conservação



Conservação

Hoje em dia fala-se muito em Ecologia e conservação, mas a maioria da população sabe somente o que vê em evidência na mídia. Mesmo dentro da academia, o entendimento do contexto das Ciências Ambientais é prejudicado pela fragmentação do conhecimento e, quando falamos de conservação, é necessária a aproximação dos conhecimentos científicos com os filosóficos, estes que conduzirão a elaboração de respostas consistentes a questões práticas.

A Ecologia tem papel fundamental quando o assunto é crise ambiental, já que é a área do conhecimento que dedica-se a estudar as interações entre os seres vivos e destes com o seu meio, mas é importante não confundir ecologia com ambientalismo. O ambientalismo é um movimento social que busca a redução dos impactos das atividades humanas sobre os ecossistemas. A relação entre ecologia e ambientalismo se tornou tão próxima que é comum vermos pessoas considerarem, de maneira equivocada, os dois termos como sinônimos.

Mas por que conservar é tão difícil? Pessoas envolvidas com a parte prática da conservação demonstram certa insatisfação com a ecologia justamente porque é impossível determinar “leis” abrangentes, visto a complexidade dos sistemas ecológicos.

Outra questão importante é o fato de que, ao contrário do discurso ambientalista que transmite a idéia de que seja qual for a justificativa, conservar é importante, é fundamental analisarmos o porquê de conservar. Geralmente, três justificativas são bem representativas: o benefício da conservação para o humano; a existência de valor intrínseco para a espécie; e sua importância para a manutenção da estrutura e processos do ecossistema.

No primeiro caso, o argumento é utilitarista e mostra porque os humanos devem agir para garantir a conservação da espécie, entretanto, conclui-se que aquilo que não gera benefício tem pouco interesse conservacionista. No segundo caso, o valor intrínseco deverá fugir de argumentações subjetivas, o que é algo complicado que acaba fazendo com que este tipo de argumento perca força e sua utilidade seja questionada. Já o terceiro argumento necessita de embasamento científico e, com isto, demonstra objetividade. Porém este argumento levanta um questionamento importante: “Por que manter a estrutura e o funcionamento do ecossistema? Por si só o argumento justifica a ação humana?”. Na verdade ele não constitui um fim último, tornando-se incompleto.

Portanto, a objetividade deve ser utilizada como elo entre ciência e filosofia e, para isto, é fundamental que o profissional da conservação conheça a ciência, saiba dialogar com os ambientalistas e ambos demonstrem interesse pelas questões filosóficas que cercam o assunto.

   
Se vocè achou este post batuta, considere deixar um comentário ou inscrever-se em nosso feed RSS para ficar por dentro de nossas novidades.
Comentários (0) Trackbacks (0)

Sem comentários


Deixe um comentário

(required)

Sem trackbacks